Para compreender a transformação que acontece hoje no campo de Apuí, é preciso olhar primeiro para a estrutura que a sustenta. A construção dessa cadeia de valor é fruto de uma parceria estratégica entre a atuação histórica do Idesam, a visão de mercado da Amazônia Agroflorestal e a vocação produtiva de Apuí. O Idesam iniciou seu trabalho no município com o desafio de buscar alternativas sustentáveis, mas logo ficou claro que oferecer apenas assistência técnica não seria suficiente; era preciso estruturar o mercado.
Foi para suprir essa lacuna que nasceu a Amazônia Agroflorestal, uma empresa por Apuí, para Apuí. Juntas, essas organizações investiram na estruturação de uma rede de valor, do viveiro de mudas ao beneficiamento e torrefação, tudo em Apuí. Esse arranjo permite não apenas a garantia de compra da produção, mas promove uma remuneração justa, assegurando que a riqueza gerada permaneça no município movimente a economia local.

Essa engrenagem institucional só ganhou vida porque se conectou às raízes do município. A história começa com o Projeto de Assentamento (PA) Rio Juma, que atraiu migrantes de todo o Brasil trazendo a cultura do café na bagagem. Contudo, o cultivo tradicional enfrentou desafios na região. A virada de chave aconteceu a partir de 2006, em uma observação conjunta entre técnicos e produtores, quando se percebeu que os cafezais sombreados por árvores nativas eram mais produtivos e resilientes. Hoje, o protagonismo de 134 famílias parceiras é o motor dessa evolução.

O Café Apuí Agroflorestal vem se consolidando como uma iniciativa de destaque no fortalecimento da cadeia produtiva do café no município, unindo inovação, parcerias locais e valorização da agricultura familiar. O projeto tem como base um modelo sustentável de produção, que integra práticas agroflorestais com o desenvolvimento econômico da região.
Um dos avanços mais significativos foi a parceria firmada com o senhor Estevão, torrefador local, que possibilitou a realização da torrefação integral do grão no próprio município. Para isso, foram feitas adaptações tanto na estrutura quanto no ponto de torra, garantindo maior controle do processo, melhor padronização e a preservação das características sensoriais do café produzido em Apuí. A iniciativa representa um passo importante na agregação de valor ao produto, reduzindo a necessidade de etapas externas e fortalecendo a economia local.
Hoje, 134 famílias integram a rede de valor no município. A produção utiliza Sistemas Agroflorestais (SAFs), onde o café é cultivado em consórcio com espécies florestais nativas. Esse manejo recupera solos degradados e diversifica a lavoura. Além do café, é feito o cultivo integrado de melancia, abacaxi e banana, entre outras espécies alimentares, que fortalece a segurança alimentar e gera renda complementar, abastecendo tanto as famílias quanto o comércio da região.
Reconhecimento Nacional no Coffee of the Year de 2025
A adesão a este modelo produtivo resultou em uma qualidade de excelência, validada nos principais concursos do país. Recentemente, os produtores Viriato Rolf e Luiz Carlos Lemke classificaram o Robusta Amazônico de Apuí entre os 15 melhores cafés do Brasil no Coffee of the Year 2025. Além deles, as produtoras Marcia Brito e Marina de Araújo figuraram no Top 30 nacional, e Marcia Brito foi consagrada campeã regional do concurso Florada Premiada.
Inovação com REDD+ e o Modelo de Sociobioeconomia
A iniciativa continua a evoluir, posicionando Apuí na vanguarda da inovação através do projeto REDD+ Café Apuí Agroflorestal. Trata-se de um mecanismo que introduz o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) como uma nova fonte de renda: o produtor recebe pela produção nos SAFs e também pela conservação das áreas de floresta nativa que mantém em pé. É assim que Apuí lidera mais uma inovação para o futuro do nosso planeta: o produtor rural bem remunerado, conservando a floresta e com produção de alimento que recupera o solo!
Com essas parcerias estratégicas, o Café Apuí Agroflorestal demonstra que a união entre produtores, associações e empreendedores locais é fundamental para o desenvolvimento sustentável. A iniciativa não apenas eleva a qualidade do café produzido no município, mas também fortalece a identidade regional e abre novas oportunidades para o mercado, colocando Apuí em evidência no cenário da cafeicultura.
É este arranjo de interações que define, na prática, o conceito de sociobioeconomia: um modelo capaz de dinamizar a economia local, gerando riqueza real e dignidade para as famílias de Apuí, ao mesmo tempo em que garante a preservação da Amazônia. Apuí prova que a floresta em pé é um ativo financeiro valioso e que o desenvolvimento econômico caminha junto com a regeneração ambiental.
Conheça mais sobre o café que leva o nome da nossa cidade:
Site: https://www.cafeapui.com.br/
Loja Online: https://www.loja.cafeapui.com.br/
Instagram: @cafeapui
Tiktok: https://www.tiktok.com/@cafeapui
Linkedin: https://www.linkedin.com/company/amazoniaagroflorestal/
Fonte e fotos: Setor de Comunicação do Café Apuí Agroflorestal








